Toda dor traz com ela a cura

Você se lembra daquela máxima das aulas de matemática na escola: “A solução está no enunciado do problema. ”? Pois é, normalmente a gente muda algo em nossas vidas quando a dor de ficar na situação em que se encontra é maior que a dor que imaginamos ter de enfrentar para sair dela e, se você parar para prestar atenção, a solução está lá, junto dessa dor.

 

Tenho certeza que você conhece ou, já ouviu falar de gente que “jogou tudo para o alto” e pediu demissão de um emprego que parecia ser incrível para fazer um ano sabático. Quando digo sabático, não me refiro àquele período para o qual houve planejamento para não trabalhar. Aqui falo do sabático de caráter emergencial, o proveniente de uma decisão que aos olhos da sociedade pode parecer pouco lógica, irracional ou absurda, mas, para a pessoa que a toma, traz alívio imediato.

 

Esse é o exemplo fatídico da “dor de estar” que ficou maior que a “dor de mudar”. Aí você me dirá: Ah tá, mas precisava ser assim? Dessa forma? Abruptamente? Sem planejamento algum? E eu respondo: É claro que não! Mas como dizem: Cada um é cada um, as pessoas são sim diferentes, com limites diferentes, e eu, sinceramente, acredito que as que tomam esse tipo de decisão são, em geral, aquelas que a gente menos espera que as tomariam. Sabe aquele seu amigo não tão próximo, aquele cara calmo, tranquilo e sorridente que sempre pareceu agradável e parecia estar satisfeito com a vida que levava? Aquele marido de uma amiga sua que você julgava ser feliz, simpático, bem-sucedido financeiramente? Então, sustentar essa imagem às vezes tem um preço alto e podemos dizer que eles se tornaram bombas-relógio ambulantes. O limite para a dor é alto, mas também quando é atingido – sai de baixo – eis que surge uma coragem inimaginável para tomada de decisões até então impensadas.

 

E não é que é a solução para toda a dor que motivou a demissão estava bem ali? E aí vem você de novo: Ah, como assim, Janaina? E eu pergunto: Você já ouviu falar de alguém que foi desfrutar de um sabático e nunca mais voltou dele? Pode até ser que a pessoa tenha ido viajar em função do sabático e acabou estabelecendo residência no país de destino, não mais voltando ao país de origem, mas certamente o fez após se redescobrir, reinventar-se durante o período. Nesses dias li e até postei na minha Fanpage uma frase cujo autor é desconhecido: “Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses. ” Apesar de achar que tais períodos podem nem ser tão longos assim, concluo que a própria demissão acompanhada da experiência do sabático por si só já era parte da solução no exemplo discorrido. Ou seja, a “dor de estar” naquela situação anterior era maior que a “dor de mudar” e que, por sua vez, trouxe com ela a cura, a demissão, que pelo menos é, no caso, o início do processo de cura, o que eu chamaria de grito de alforria.

 

Em nenhum momento estou dizendo que é fácil eliminar qualquer dor e nem que a simples demissão seja a melhor das curas para um emprego enfadonho, sem graça, o qual você já não mais suporta. Mesmo porque esse certamente não seria o meu conselho. O que gostaria de mostrar é: Existe sim solução para todo e qualquer problema. Existe cura para toda dor. E por isso trago aqui a proposta de nos exercitarmos nesse sentido, aprendendo a refletir de outra forma sobre as nossas questões, nossas dores. Sejam elas profissionais ou pessoais.

 

E veja só que boa notícia eu dou agora: Diferentemente dos problemas de matemática, aqui não existe uma única resposta correta! Ou seja, buscar a cura para nossas dores abre um mar de possibilidades.

 

Busque uma nova forma. Qual? Qualquer uma: meditação, terapia, religião, Coaching, rodas de conversa, constelação familiar, yoga, um exercício físico jamais praticado, um planejamento de pequenas viagens curtas ao longo do ano para “desligar da tomada”, percorrer o caminho de Santiago de Compostela, etc. São tantas opções! Não estou sugerindo sair fazendo várias coisas ao mesmo tempo e nem há necessidade disso. Escolha apenas um novo horizonte e o mundo que passará a ver será outro. Descubra qual ou quais das formas faz mais sentido para você encontrar suas novas possibilidades de resposta nesse grande enunciado que se chama VIDA.

 

Quem sabe assim, jamais você precise testar seus limites para a dor, chegando a extremos como pedir demissão sem qualquer planejamento. Mas se já o fez, aproveite o novo caminho, afinal seu processo de cura já começou assim mesmo.

 

Janaina Velloza

Maio 2016

Janaína Velloza

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