Coaching: pra que serve afinal?

Coaching. Pra que serve afinal?

Até receber a abençoada indicação de um processo de Coaching para cuidar de um grande incomodo que pairava sobre a minha vida, eu não fazia a menor ideia do que o Coaching poderia fazer por mim.

 

Só para constar: eu achava que se tratava de um recurso, contratado apenas por organizações, com o objetivo de corrigir o mau comportamento de seus executivos com entregas incríveis. Sabe aquele líder, que na verdade de líder não tem nada, pois é um assediador moral ou quase isso, no entanto gera resultados lucrativos para a empresa? Pois então. Eu achava que Coaching fosse a última chance de consertar esse tipo de profissional e assim garantir a continuidade dos negócios no universo organizacional.

 

­­— Não, Janaina. Não é nada disso!

Afirmou o ser iluminado com quem tive a honra de ter uma conversa sobre o meu incômodo/infelicidade/descontentamento profissional.

 

Eu já caminhava há anos num processo terapêutico de autoconhecimento/autodesenvolvimento do qual não abro mão até hoje, que me ajudou e ainda muito me ajuda em todos os aspectos da vida, e confesso, cheguei a duvidar da eficácia que um processo de Coaching teria para cuidar da minha questão, no caso e a princípio, profissional.

 

E mesmo sem expectativas, procurei pelo profissional indicado e lá fui eu, com todas as dúvidas e possibilidades que imaginava para o futuro da minha vida profissional, pois o presente já havia se tornado um fardo impossível de continuar carregando.

 

O final dessa história você já imagina, se é que já não o conhece. Não podia imaginar que ali, nas sessões de Coaching, diante do profissional que me atendia, estaria olhando para aquela que seria eu amanhã. Foi nesse espaço que pude descobrir a minha necessidade de aprendizado constante e a minha grande inclinação à causa do desenvolvimento humano. Não levou muito tempo para a descoberta. Por volta da sexta sessão, minha intuição já me apontava a certeza: esse era o meu caminho.

 

Essa foi parte da minha história com o Coaching. O começo dela na verdade. Mas veja só, hoje, como coach (profissional do processo de Coaching) não só trabalho com questões profissionais trazidas pelos meus clientes. Aliás, duvido que qualquer coach de carreira o faça. Digo isso, pois é impossível somente falar da carreira sem trazer outros aspectos da vida para dentro do processo. Estou bem longe de achar que um processo de Coaching pode ser tão bem classificado inclusive, como “de carreira” ou “de qualidade de vida”, de “alta performance” ou “de sei lá que outro nome tenha” antes de ouvir a real demanda trazida pelo cliente. E vou além, a demanda pode chegar com roupagem de “profissional” e esse processo acabar tratando é de resolver uma questão de relacionamento, por exemplo.

 

Na minha opinião, todo processo de Coaching é sobre a vida. Todo processo de Coaching é Life Coaching (Coaching de vida)!

 

A verdade é: vida e qualquer coisa que dela faça parte caminham juntos, mesmo que você tente separar tudo em caixinhas. Mesmo que você use os termos “vida profissional” e “vida pessoal”.

 

Uma “quase cliente” me disse:

— “Quero fazer Coaching e não um processo terapêutico para cuidar da minha questão profissional, pois não quero entrar em contato com as minhas dores relacionadas a minha autoestima, que anda muito baixa. ”

 

E eu perguntei:

— O que faz você achar que sua autoestima nada tem a ver com sua questão profissional?

 

Os olhos dela se encheram de lágrimas e adivinha só, ela não se tornou minha cliente, pois se havia a chance de doer e naquele caso estava claro, já estava doendo, só lhe restou correr do processo.

 

Outro detalhe: A dor pode aparecer num processo de Coaching sim. Não é por não se tratar de terapia que significa não ser profundo.

 

O Coaching nada mais é que uma outra forma de cuidar de suas questões de vida, estejam elas diretamente ligadas à sua carreira ou não.

 

Para ficar mais claro, eu vou elencar abaixo exemplos de demandas iniciais trazidas para um processo de Coaching e quem sabe assim eu possa contribuir um pouco para o entendimento do que pode ser tema para este rico trabalho:

 

  • “Não estou feliz no meu trabalho atual, mas não sei o que fazer com relação a isso. ”

 

  • “Estou feliz com a minha carreira, mas não me sinto produtivo o suficiente. ”

 

  • “Estou surtando no trabalho, me sentindo uma fraude profissional e ao mesmo tempo não tenho uma relação sadia com minha esposa, não sei o que resolver primeiro, nem como. ”

 

  • “Quero emagrecer. Já fiz mil dietas, muitas delas de fato funcionam, mas o emagrecimento não é sustentável. Desconfio que o problema seja eu. ”

 

  • “Quero fazer uma transição de carreira, mas não me sinto preparado para isso. ”

 

  • “Não suporto mais o meu trabalho, mas não sei se isso está relacionado a minha função, ao meu cargo, as pessoas com quem trabalho ou se é o mundo corporativo. ”

 

  • “Quero ter uma vida mais regrada. Quero fazer muitas coisas, mas não consigo fazer tudo o que gostaria e sempre me sinto em dívida. ”

 

  • “Minha carreira vai muito bem, obrigada. Eu trabalho com o que eu amo, sou bem remunerado por isso, mas quero fazer um planejamento para me sentir seguro financeiramente daqui 10 anos. ”

 

  • “Tenho muitas decisões importantes para tomar e quero me certificar de que estou fazendo isso da melhor forma possível. ”

 

  • “Quero abdicar da minha carreira para ser mãe tempo integral, não sei se é possível, pois tenho medo de me arrepender. “

 

 

Eu poderia trazer muito mais exemplos, mas a minha intenção aqui é abrir os olhos para as possibilidades de questões que podem ser tema de um processo de Coaching.

 

Pode ser que, depois de passar por esses exemplos, você se pergunte, assim como eu sou questionada com frequência: Mas essas não são questões comumente tratadas em terapia?

 

E eu digo que sim, podem coincidir, afinal são questões da vida humana. São problemas complexos, com uma série de possibilidades de soluções. Falar da vida não é do domínio da terapia tão somente. A Filosofia, por exemplo, fala da vida há mais de dois mil anos. O senso comum vê relação entre Coaching e Terapia, pois acha que qualquer conversa a dois disso se trata.

 

O Coaching é uma outra forma, uma forma mais nova, com uma abordagem diferente para ajudar a dar conta de questões que as pessoas até então buscavam resolver se utilizando de outros recursos. E ressalto, não acho que são processos que competem um com o outro. Eu mesma sou prova disso, pois fiz o meu processo de Coaching sem deixar o processo terapêutico de lado.

 

Quando falamos em Coaching falamos de conversa qualificada que gera processo de aprendizagem. Não deixa de ser terapêutico, mas não é terapia, algo que gosto de frisar aos meus coachees (clientes).

 

Sem contar que existem diferentes processos de Coaching. Eu, por exemplo, trabalho com o Coaching Ontológico. Meu material de trabalho é o discurso do meu cliente, pois é pela linguagem que dizemos quem somos e como vemos o mundo e é pela linguagem também que podemos criar novas realidades.

 

Se você não tinha ideia da utilidade de um processo de Coaching espero ter ampliado o seu arsenal de informações. Caso esteja verdadeiramente disposto a fazer diferente em sua vida e sentir necessidade de ajuda para tanto, procure um profissional com o qual tenha empatia e tire quaisquer outras dúvidas que aqui não tenham sido esclarecidas.

 

Desejo a você um ótimo processo de aprendizagem, optando ou não por trilhá-lo com a ajuda de um coach.

 

Coaching: pra que serve afinal?
Coaching: pra que serve afinal?

Janaína Velloza

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